“Nós o amamos, porque Ele nos amou primeiro.” — 1 João 4:19
Você já parou para se perguntar: o que há em mim que atraiu o coração de Deus?
Se formos honestos, a resposta é dura, mas libertadora: absolutamente nada.
Nós, humanos, amamos realmente quem nos ama. É quase instintivo.
Somos generosos com quem nos trata bem.
Somos pacientes com quem é paciente conosco.
Perdoamos facilmente quem nos pede desculpas primeiro.
Mas e o oposto? É fácil amar quem não nos ama? E quem nos trata mal, é fácil?
O escritor e teólogo C.S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples, nos provoca:
“Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração certamente será dolorido e talvez partido. Se você quiser ter certeza de mantê-lo intacto, não o entregue a ninguém.”
E é exatamente aí que mora o milagre. Enquanto nosso amor é uma reação — um eco do que recebemos — o amor de Deus é ação pura. Ele não ama porque fomos bonzinhos. Ele ama porque Ele é amor (1 Jo 4:8).
Confesso que já tentei encontrar algum mérito em mim que justificasse o amor de Deus.
“Talvez minha sinceridade…”
“Talvez minha busca pela verdade…”
“Talvez meu esforço para ser melhor…”
Mas a Bíblia é implacável ao desmontar essa ilusão. O apóstolo Paulo declara em Romanos 5:8:
“Deus prova o seu amor para conosco em que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.”
Ainda pecadores. Antes do arrependimento. Antes da fé. Antes de qualquer boa obra.
O pastor e teólogo brasileiro Augustus Nicodemus comenta:
“O amor de Deus não é uma resposta aos nossos méritos, mas uma iniciativa da sua graça. Ele nos amou quando éramos seus inimigos, não porque éramos amáveis, mas porque Ele é misericordioso.”
Vamos encarar sem rodeios: gostamos de pecar.
Não apenas cometemos erros — muitas vezes, escolhemos o erro. Temos discernimento da maioria dos pecados. Sabemos quando estamos magoando alguém, quando estamos nos afastando de Deus, quando estamos escolhendo o caminho mais fácil e tortuoso.
E mesmo assim, pecamos.
O pastor Ed René Kivitz, em uma de suas reflexões, provoca:
“O pecado não é apenas o que fazemos de errado; é a nossa insistência em continuar fazendo o que sabemos que nos destrói.”
Se o amor de Deus dependesse da nossa capacidade de parar de pecar, estaríamos todos perdidos.
E é exatamente aí que 1 João 4:19 se torna a âncora da nossa esperança:
“Nós o amamos, porque Ele nos amou primeiro.”
O amor humano é reativo. O amor divino é inicial.
Agostinho de Hipona, um dos maiores teólogos da história da Igreja, escreveu em suas Confissões:
“Amaste-nos primeiro, para que amássemos a ti, não porque já te amássemos, mas para que te amássemos.”
Isso muda tudo.
Não amamos a Deus porque somos espirituais, religiosos ou disciplinados. Amamos porque fomos conquistados por um amor que não esperou nossa melhora. Um amor que nos viu no fundo do poço e desceu até lá. Um amor que nos viu correndo na direção oposta e ainda assim nos chamou pelo nome.
Se Deus me amou primeiro, então minha vida cristã não é uma tentativa de ganhar o amor dEle, mas de responder a ele.
O pastor e escritor John Piper resume assim:
“Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos Nele.”
Ou seja: quando entendemos que o amor de Deus não depende do nosso desempenho, somos libertos para amá-Lo de verdade — não por medo, não por obrigação, mas por gratidão.
O escândalo do evangelho é este: Deus amou o indigno.
Ele não esperou que você arrumasse a casa antes de entrar. Ele entrou na bagunça, sentou ao seu lado e disse: “Eu te amo. Não pelo que você faz, mas pelo que você é: Meu filho, Minha filha.”
Que há em mim que atraiu o coração de Deus?
Absolutamente nada.
E essa é a beleza: Ele me amou por quem Ele é, não por quem eu era.
Para Refletir:
Você tem vivido como se o amor de Deus dependesse do seu desempenho?
Existe alguma área da sua vida onde você ainda acredita que precisa “merecer” a graça?
Como seria sua relação com Deus se você realmente descansasse no fato de que Ele te amou primeiro?
“Não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” — 1 João 4:10
Compartilhe esta reflexão com alguém que precisa lembrar que o amor de Deus não se conquista, se recebe.
C.S. Lewis (Irlanda, 1898–1963) — Escritor e teólogo, autor de Cristianismo Puro e Simples.
Agostinho de Hipona (África, 354–430) — Bispo, teólogo e Doutor da Igreja, autor de Confissões.
Augustus Nicodemus (Brasil) — Teólogo, pastor e escritor.
Ed René Kivitz (Brasil) — Pastor, teólogo e palestrante.
John Piper (EUA) — Pastor e teólogo, fundador do Desiring God.